FecomercioSP: negócios virtuais precisam focar no lucro, dizem grandes empresário do setor

Por Mauricio Salvador, presidente da Associação
Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm)

Em debate, especialistas afirmam que se querem ser lucrativas, lojas virtuais devem deixar de lado vantagens como frete grátis e amplos parcelamentos sem juros

Se querem ser lucrativas, empresas de e-commerce devem deixar de lado vantagens como frete grátis e amplos parcelamentos sem juros. Essa foi a conclusão dos especialistas que participaram do evento Como Rentabilizar o E-commerce, realizado pelo Conselho de Interação e Comércio Eletrônicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), nesta segunda-feira, 16 de setembro, na sede da entidade em São Paulo. Os balanços das empresas que atuam no segmento têm mostrado que as companhias convivem com margens apertadas e apontam para a necessidade de uma mudança de cultura e de comportamento.

“É necessário rever conceitos enraizados como dar frete grátis e parcelamentos muito longos. Precisamos prestar atenção na longevidade do negócio. Se o cliente gosta do seu serviço e se sente seguro, ele volta a comprar”, explicou o vice-presidente de planejamento da Netshoes, José Rogério Luiz.
O foco exclusivo em vendas já não sustenta mais o negócio. As empresas precisam também pensar no lucro. “O comércio eletrônico continua crescendo muito forte no Brasil, porém, o que vemos são resultados baixos das empresas. É um paradigma que temos que enfrentar”, disse o presidente do Conselho de Interação e Comércio Eletrônico da FecomercioSP, Pedro Guasti. Para analisar o cenário, o evento trouxe especialistas de mercado para mostrar os possíveis caminhos para as companhias do setor.
As práticas atuais são fruto de uma mentalidade do modelo de negócios criada para o segmento, segundo o diretor de e-commerceda Hi Happy e PB Kids, Roberto Oliveira. “A diferença é que focaram no crescimento acelerado e não na lucratividade, que deveria vir depois. Mas isso nunca aconteceu e não é sustentável”, afirmou.
Os especialistas apontam a necessidade de uma mudança cultural e comportamental do varejista on-line. “No momento, o mais importante é investir em uma boa equipe e em tecnologia para automatizar a operação”, comentou Mauricio Salvador, presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Ele também analisou o desafio provocado pela venda direta de sites estrangeiros para os brasileiros: “É difícil competir em preços, mas é possível explorar novos nichos e apostar na qualidade do serviço”.
O gerente de desenvolvimento de negócios da Buscapé Company, Claudio Roca, concordou neste ponto. “A especialização e a paixão na sua operação será o diferencial, apostando inclusive em produtos exclusivos. Mas tudo isso deve ser embalado por uma boa comunicação para mostrar o seu valor”, explicou Roca.
Outra opção para os empresários brasileiros é investir na inovação. “Existem muitas opções para isso, como integração entre comércio físico e eletrônico, vender conveniência, melhorar experiência de compra, investir em novos sistemas de pagamentos e aqueles que abreviam compras e reduzem abandono”, finalizou o presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da FecomercioSP, Adolfo Melito.

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