Como a indústria pode usar o monitoramento inteligente para cuidar do preço sugerido

O “preço sugerido” pela indústria é uma medida que ganhou corpo ao longo dos anos 2000. Ele se constituiu como uma importante ferramenta para que os fabricantes pudessem fortalecer produtos e aumentar sua participação no mercado. É através dele que as empresas do primeiro setor elaboram as estratégias de venda como, por exemplo, atingir novas classes de um público-consumidor que não estavam no radar da companhia.

O tema ainda gera polêmica, sobretudo com varejistas que querem praticar preços acima ou abaixo da sugestão. Entretanto, a legislação brasileira permite a prática para que as indústrias também possam desenhar ações de vendas. Alguns segmentos não são obrigados a adotar o preço sugerido, como é o caso da maioria dos produtos alimentícios, por exemplo. Entretanto, em outras categorias é obrigatório seguir à risca a orientação que vem dos fabricantes: o cigarro é o caso mais conhecido, assim como a indústria automobilística.

Obrigatória ou não, tornou-se vital para as indústrias fazer com que os revendedores trabalhem dentro dessa margem. Para isso, elas precisam acompanhar e monitorar pontos de venda. Possuir um canal que estabelece um preço muito abaixo ou acima do estipulado desvaloriza o item e afeta a possibilidade de novos negócios. O fabricante precisa estar atento a esses detalhes a fim de saber se realmente a estratégia de venda foi cumprida.

Antigamente esse processo era feito de forma manual, com muitas pessoas envolvidas, gerando excesso de custos e tempo para levantar todos os dados. Para facilitar essa dinâmica, existem no mercado soluções que aplicam o monitoramento inteligente nos canais de revenda, gerando economia além do controle mais eficaz.

Desta forma, as indústrias conseguem monitorar em tempo real seus produtos nos pontos de venda e conferir se o preço sugerido está sendo cumprido. Assim, é possível identificar quais revendedores podem ser explorados com mais frequência, quais criam mais oportunidades de venda e também aqueles que encontram-se fora dos critérios exigidos. Caso algum varejo online pratique preços fora do normal, um alerta pode inclusive ser gerado ao fabricante.

Com essa informação importantíssima, a indústria planeja melhor o crescimento e a atuação. Ela sabe quais regiões não são bem atendidas e quais públicos podem vir a consumir o item no futuro. O monitoramento inteligente não serve apenas ao e-commerce. Também é uma ferramenta necessária para os fabricantes alavancarem vendas e aumentarem o faturamento.

*Luiz Pereira é Diretor Comercial da Precifica, a primeira plataforma brasileira de Precificação Inteligente.