Pesquisa encontra ‘falsa’ queda de preço em sites de venda

Publicado em 21.08.2018 no veículo VEJA.

Apesar de os preços terem caído duas semanas antes do Dia dos Pais, levantamento mostra alta na comparação com um mês atrás

O consumidor precisa ficar cada vez mais atento na hora de fazer compras pela internet. Quando entra no site de um grande varejista, mesmo sem saber, o cliente pode estar comprando de um outro vendedor. Isso acontece porque a maioria das marcas transformou seus sites em shoppings virtuais, os chamados marketplaces, com diversos vendedores. O problema é que cada um desses lojistas trabalha com preços e condições diferentes.

Levantamento realizado pela Precifica entre 10 de julho e 10 de agosto nos marketplaces de grandes marcas – Shoptime, Submarino, Americanas, Pontofrio, Amazon, Casas Bahia, Carrefour – identificou uma espécie de ‘falsa queda nos preços’ de aparelhos celulares . Apesar de o valor dos equipamentos ter ficado 14% mais barato nas duas semanas anteriores ao Dia dos Pais, na comparação com o início do levantamento ocorreu um aumento de 4% nos preços.

“Quando a gente leva esse monitoramento para outras datas, como Dia das Mães, observa que é comum ocorrer uma elevação de preços e depois uma redução mais perto da comemoração”, afirma Ricardo Ramos, CEO da Precifica, empresa de monitoramento de preços.

Essa falsa queda de preços, segundo ele, dá ao consumidor uma sensação equivocada de que o produto ficou mais em conta. Esse sentimento amplia a disposição de compra do cliente, que acredita estar fazendo um bom negócio. “Acaba induzindo à compra”, diz Ramos.

Segundo Ramos, as variações de preços não ocorrem apenas de um dia para outro, mas no intervalo de poucas horas. A maior diferença de preço encontrada em um único dia foi de 536,9% no preço do smartphone Samsung Galaxy J1 Mini vendido no último dia 3 no site da Shoptime. Neste dia, o mesmo produto era vendido entre 313 e 1.999 reais no mesmo marketplace.

A Precifica diz que a diferença absurda é resultado da concorrência acirrada entre 40 vendedores desse marketplace. A loja âncora oferecia o aparelho por 394,99 reais.

“Hoje, os e-commerce dispõem de ferramentas de monitoramento que permitem descobrir por quanto a concorrência está vendendo o mesmo produto que ele. Se o seu preço estiver muito acima, ele reduz. Se estiver abaixo, aumenta. Se estiver vendendo pouco, baixa mais ainda para ampliar o movimento”, diz Ramos.

O diretor de fiscalização do Procon-SP, Osmário Vasconcelos, afirma que os preços são livres no Brasil. Não existe nenhuma lei que impeça empresas de elevar ou subir seus preços. “Não existe tabelamento de preços no Brasil, o que vale é a concorrência”, afirma Vasconcelos.

Segundo ele, a obrigação dos lojistas é informar de forma clara e ostensiva os preços praticados para que o consumidor tenha condições de comparar entre lojas. “O consumidor tem liberdade de escolha, mas os preços têm de estar à vista.”

Em relação à possibilidade de falsas promoções, Vasconcelos diz que o consumidor pode reclamar ao Procon sobre ofertas irregulares. “Se a empresa prometeu reduzir preço, mas não reduziu, podemos autuá-la por publicidade enganosa e descumprimento de oferta.”

Entretanto, é preciso comprovar a irregularidade com prints das ofertas com datas anteriores à promoção e dessa forma identificar a irregularidade.

Ramos, da Precifica, diz que a principal arma do consumidor contra falsas promoções é o monitoramento de preços. “Quem se programou e pesquisou com antecedência, encontrou preços melhores, Mas aqui temos o hábito de deixar para a última hora.”

Outro lado do varejo

A B2W, dona das marcas Submarino, Shoptime, Americanas, informou que não iria comentar as diferenças de preço de seu site de vendas.

A Amazon.com.br informa que não define as políticas de preço dos vendedores de seu marketplace. “O preço indicado no botão de compra é o melhor no momento em que o cliente está visitando o site, de acordo com a disponibilidade do produto no estoque do vendedor.”

Segundo o Carrefour.com, a variação de preços ocorre porque são diferentes vendedores, ou seja, são ofertas diferentes. “Para garantir que o cliente tenha acesso ao menor preço, o e-commerce da rede conta com ferramenta que apresenta sempre a melhor oferta para o produto pesquisado.”

De acordo com o Carrefour, “o sortimento estendido proporcionado pelo marketplace é uma vantagem ao cliente, oferecendo mais produtos e ofertas para atender a sua necessidade no momento da compra”.

A Via Varejo – das bandeiras Ponto Frio e Casas Bahia, diz que o “marketplace é um ambiente administrado por grandes empresas de varejo no comércio eletrônico que permite a lojistas de todos os tamanhos ofertarem seus produtos em sites de alta visibilidade, viabilizando a pesquisa e compra de centenas de ofertas em um único local e permitindo ao cliente comparar preços, condições de pagamento e prazos de entrega”. A Via Varejo conta hoje com aproximadamente 3,1 mil lojistas, que comercializam em torno de 1,5 milhão de itens.

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